Luís Henrique, Pinho Moreira e Raimundo Colombo: o amor não é lindo?Pior para Paulo Afonso Vieira, que perdeu na disputa, com 40% dos votos (o que não é pouco, se lembrarmos que a máquina do estado está com LHS). Na segunda vaga, os peemedebistas devem ter que engolir o ex-secretário da educação Paulo Bauer (PSDB). Será que eles vão votar pra ele mesmo???
O deputado federal João Mattos retirou seu nome da disputa para vice, em protesto pela decisão: "Ser vice do DEM, eu não topo", disse, lamentando que "após sete mandatos de deputado federal jamais esperava encerrar minha carreira política ouvindo dois dos maiores líderes do partido sendo vaiados" (ele se refere as vaias contra Luís Henrique da Silveira e Eduardo Pinho Moreira, que aconteceram durante a convenção).
Paulo Afonso Vieira e João Mattos são apenas dois dos mais eminentes líderes peemedebistas que são contra a coligação com o DEM e a favor de uma aproximação com o PT. Ambos foram base de apoio ao presidente Lula no Congresso Nacional e o principal ponto de sua posição é que a campanha Colombo está comprometida com José Serra (ou estava, aguardem novidades abaixo), enquanto o PMDB está justamente na chapa adversária, de Dilma Roussef, onde o presidente nacional do partido, o deputado federal Michel Temer é candidato a vice. Ou seja, a convenção aprovou que o PMDB de SC não vai votar no PMDB pra presidente, mas pro PSDB.
Com efeito, alguns peemedebistas devem aderir a campanha de Ideli Salvatti ao governo do estado, único palanque confirmado até agora da chapa Dilma/Michel Temer. A campanha da Angela fica difícil apoiar, por causa de rancores históricos irreconciliáveis - embora Angela na convenção do PP falou bem do MDB e de alguns peemedebistas que julgou "grandes homens públicos", com certeza visando cooptar os descontentes com a Tríplice Aliança.
Na convenção da Angela deu de tudo: Representantes do PDT e do PSDB estavam lá, sondando uma coligação. PSDB? Sim, o partido ainda não confirmou a triplice aliança. Até mesmo porque a nível nacional PSDB e DEM estão quebrando o pau, e pode ser que o DEM desembarque da campanha Serra. Se isso acontecer, Raimundo Colombo não terá obrigação nenhuma de pedir votos para José Serra - a tendencia seria o DEM não apoiar ninguém. Isso seria ótimo para LHS e Pinho Moreira, porque eles poderiam desarmar Paulo Afonso e João Mattos que arrastam militantes para fazer campanha para Ideli com argumento que estão sendo leais a Michel Temer. Se Raimundo Colombo puder deixar o PMDB fazer campanha para Dilma, não há porque pedir votos para Ideli.
Assim, o PSDB procura outro palanque para José Serra em Santa Catarina, e esse seria o palanque de Angela Amin. Eles coligariam com ela em troca do apoio dos progressistas para Serra em Santa Catarina.
O porém de Angela nessa direção vem de duas coisas: O PDT por exemplo aprovou na sua convenção dar o vice para Angela. Mas a nacional do PDT liberou o acordo, mediante o PDT catarinense conseguir o apoio de Angela para Dilma! Mais do que isso, vale lembrar que se Angela fecha com o PSDB, não terá apoio do PT caso enfrente Raimundo Colombo no segundo turno.
O PT adiou sua convenção que era pra ser no sábado para quarta-feira, dia 30. Eles estão esperando o que vai acontecer no PMDB. Embora Cassildo Maldaner garante que pelo que conversou com Temer não haverá mais intervenção (eu não falei???), o deputado Valdir Colato diz que entendeu outra coisa do presidente nacional. Segunda-feira todos saberemos qual dos dois tem razão.
Sem apoio da mídia, a campanha da Ideli vai ter que se concentrar única e simplesmente em se ancorar no lastro da campanha para presidente de Dilma Roussef - na esperança de somar mais peemedebistas descontentes e chegar assim no segundo turno. Das três candidaturas é a única sem possibilidade de ajuda da máquina estadual - se Angela fechar com o PSDB ganha apoio do governador Leonel Pavan; e o DEM e o PMDB gozam ainda de vários cargos no governo.
Por outro lado, Ideli pode bater agora tanto em LHS quanto em Pavan, coisa que Angela e Colombo não poderão. Se configurando assim em verdadeira oposição. Daí teríamos um cenário parecido com 2002, onde de um cenário onde aparentemente a população estava satisfeita com o governo, se revelou ao final desejosa de mudança. Mas isso são conjunturas que apenas a campanha eleitoral vai mostrar se tem fundamento ou não.
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