Quinta-feira, Junho 24, 2010

Luís Henrique e Pinho Moreira enterram o PMDB de Santa Catarina

Nesta semana, o ex-governador Luís Henrique da Silveira e o presidente do PMDB de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, conseguiram fazer um acordo para evitar a intervenção no diretório estadual do partido.

A direção nacional do PMDB ameaçou intervir depois que Pinho Moreira anunciou que desistia da candidatura ao governo do estado, para ser vice do senador Raimundo Colombo, do DEM, e assim dando palanque para José Serra em Santa Catarina. O estado não seria uma exceção em regiões onde o PMDB deve dar palanque para Serra, e não Dilma Roussef, e nem por isso vão sofrer intervenção nacional, se não fosse por um porem: duas semanas antes, Pinho Moreira tinha ido a Brasília, e se comprometeu com Dilma e Michel Temer, seu candidato a vice e presidente nacional do PMDB, que a despeito de não conseguir coligação com o PT no primeiro turno, seria leal com seu partido nacionalmente, e apoiaria a chapa para presidente.

Pinho Moreira queria que o PT cedesse a cabeça de chapa numa coligação ao governo do Estado. O problema é que em todas as pesquisas a senadora Ideli Salvati está melhor que o peemedebista e seria um contra-senso desistir por quem tem menos chances. A despeito do PMDB ser o partido mais votado nas últimas eleições, com mais filiados e prefeituras, o PT também não pode ser subestimado, sendo o terceiro em votos, militância e eleitores governados.

Ideli por outro lado não poderia confirmar o apoio para Pinho Moreira caso ele fosse para o segundo turno e enfrentasse Angela Amin. Basicamente porque se fechasse isso, perderia a possibilidade de Angela vir a adotar o palanque de Dilma Roussef (o que é uma tendência, salvo o PP fechasse com o PSDB). Então Ideli tem que esperar “como as coisas vão se desenrolar”, ou seja, o próprio segundo turno, para decidir.

Sabendo que não iriam chegar lá, Pinho Moreira preferiu desistir e ceder aos desejos de Luís Henrique, para quem é melhor a Triplice Aliança com o DEM e PSDB, afinal ele quer se eleger senador a qualquer custo. E o PT jamais votaria nele, afinal são seis anos de oposição. Os petistas até votam no Paulo Afonso, mas LHS nem pensar – mas até aí, muito peemedebista também não vota, e quem pode culpá-los?

Como Colombo faz palanque para José Serra, Michel Temer considerou a desistência de Pinho Moreira uma deslealdade e ameaçou uma intervenção – o que é uma coisa rara no PMDB, casa da mãe Joana nacional, onde cada estado e cada município fazem o que querem. Por isso o PMDB é o maior partido do Brasil, o preferido de um “verdadeiro” político: no PT você é obrigado a ser de esquerda, no PSDB você é obrigado a ser de direita, no PMDB você é o que quiser, e pode mudar de posição quando convier.

Para evitar a intervenção, Temer deu três opções ao PMDB de Santa Catarina: 1) Candidatura Própria; 2) Coligação com o PT; 3) Não lança candidato a governador. Só não pode coligação com o DEM. Para desgosto de LHS, que queria amarrar os votos dos tucanos e democratas para garantir sua eleição.

LHS por sinal não desistiu: Diz que juridicamente o PMDB nacional não pode intervir, e uma vez que nas tentativas judiciais de cassar o seu mandato por uso intenso da máquina pública na reeleição sempre falharam na Justiça, ele já mostrou que tem “articulações” e “prestígio” no judiciário pra ficar tranqüilo numa decisão ao seu favor.

Como Pinho Moreira se suicidou politicamente, e nem os peemedebistas votariam em alguém que “correu do pau” na hora de se candidatar (e possivelmente mentiu para Dilma e Michel Temer e provavelmente “se vendeu”, como querem alguns, para fechar com o DEM), é preciso o PMDB achar alguém pro sacrifício e colocar o nome figurativo pra governador.

Porque disputar mesmo não vai. Uma campanha não se faz em cima da hora, ou seja, se o PMDB tiver mesmo candidato a governador será um fiasco, talvez alcançando menos de 10%. O mais lógico seria mesmo fechar com o PT, que tem chances de chegar lá, mas isso não interessa a Luís Henrique, que quer os votos do DEM e PSDB para senador. Um candidato fraco do PMDB permitirá a LHS fechar por fora com Raimundo Colombo, sobre argumento que quem fez o acordo é a militância de LHS, não o próprio, e se fez isso é porque a candidatura peemedebista não decolou...

Assim, fica a pergunta quem irá para Cristo? O nome mais cogitado no momento é Mauro Mariani, que se diz “um soldado do partido”. O que ele ganharia trocando a eleição certa para deputado federal por um sacrifício público numa campanha sem chance? Seja lá o que LHS e Pinho Moreira prometeram, deve ser bom. Talvez com a ajuda do Temer. Não se surpreendam se Mariani for indicado, com a vitória da Dilma, pra Eletrosul ou um negócio assim.

Em suma, tudo muito bom pro LHS, talvez seja muito bom pro Mauro Mariani mesmo perdendo pra governador, só péssimo para o PMDB catarinense, que será um verdadeiro coadjuvante na campanha catarinense, e todo partido que faz pouco voto pra majoritária, geralmente faz pouco voto pra deputado também.

O partido que estava encolhendo em 2002, ressuscitou das trevas, e se tornou novamente o maior do estado durante o reinado LHS. É um fim melancólico para uma hegemonia, e ainda por cima conduzido pelas mãos do próprio LHS, que não está nem aí para a sigla, e sim em se eleger ao senado, não importa se tiver que imolar o seu partido numa pira de sacrifício.

Quanto ao DEM e ao PT, será que realmente ficam no prejuízo sem a ajuda do PMDB? Olha, o DEM não precisa mais admitir que foi governo (de fato, saíram no começo deste ano), afinal o governo LHS não foi tão bem sucedido quanto se pretende, principalmente na questão da saúde, educação, segurança pública e programas sociais. Tanto que o povo quer renovação, e não por acaso o Pinho Moreira e o Leonel Pavan apareciam lá embaixo nas pesquisas.

Pro PT melhor ainda, afinal ficou fazendo oposição todo esse tempo, e é meio constrangedor dividir o palanque com quem criticava (razão esta que LHS sabe que não iria receber voto dos petistas de jeito nenhum). Além do mais, resta o consolo de que se o voto do PMDB não irá garantir Ideli no segundo turno, pelo menos não está indo para Raimundo Colombo também.

Com Leonel Pavan sonhando em sair separadamente, pode ser cada um por si, pelo menos até o segundo turno. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

1 comentários:

Lenita disse...

O PMDB é a grande prostituta nacional. Dá pra quem paga.