Sexta-feira, Outubro 23, 2009

It's dead, Jim.

Após tantos anos, seu fantasma ainda me assombra. Sei que acabou, mas ela me visita em sonhos quando menos espero. E destes sonhos eu sempre me lembro ao acordar.

It's dead, Jim, siga em frente, me diz o doutor. Eu sei que está morto. O cadáver esfriou, foi enterrado, e não irá ressuscitar.

Pegar uma pá e violar a sepultura seria um sacrilégio. Não, não ouso.

Não fui eu mesmo que joguei a última pá de cal, propositalmente, quando o corpo, insepulto, sussurava que iria seguir em frente? Morto é morto, era preciso matar definitivamente.

Isso não funcionou da forma que pensei. Novas vidas não me conformaram daquela ausência. Sempre sinto algo faltando.

E pensar que um dia já fui completo. Desde o momento em que a conheci, levou um pedaço, e nunca mais devolveu. As outras, coitadas, não encaixam no quebra-cabeças.

Gostaria que fosse recíproco, mas no mundo real não é assim que funciona. Afinal, ela é do tipo que se adapta bem melhor do que eu.

Já eu, não cedo. Poderia estar casado, confortável e "feliz" (com uma grande aspas na palavra), mas se ainda me sinto sozinho com elas, não há porque contrair qualquer compromisso.

Não quero obrigações. Quero poder amanhã me mudar, ainda que fique, no mesmo lugar. A liberdade não consiste em aproveitá-la, mas de ter a opção sempre em aberto.

Uma janela aberta sempre é melhor que uma porta fechada. Eu odeio chegar num lugar trancado, sem a chave.

Mas mortos não levantam. Ela não irá bater a porta. O que houve, morreu. Está morto, Jim, siga em frente, me diz Magro.

Eu sei, porra. Eu sei. Mas porque esse maldito fantasma ainda deixa pistas por aí?

1 Comments:

Blogger Caco o Sapo said...

Exatamente sr Nano,e assim vamos levando os dias,meio amargos,meio cinza...

1:51 PM  

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